Apenas uma agenda conjunta viabilizará a continuidade dos atendimentos de pacientes acometidos pela Covid-19, assim como a reposição e a alocação de novos recursos financeiros junto ao Estado para honrar compromissos com as despesas extraordinárias decorrentes da Pandemia. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os participantes de uma reunião coordenada pela Diretoria Executiva da Associação Lenoir Vargas Ferreira (ALVF) nesta sexta-feira, após a apresentação da situação operacional, aumento dos custos e o déficit financeiro do Hospital Regional do Oeste (HRO).

Do encontro participaram representantes do Gestor Pleno do SUS (Secretaria Municipal de Saúde de Chapecó), Conselho Municipal de Saúde e a Gerência Regional de Estado da Saúde médicos e enfermeiros do corpo clínico do HRO. Hoje, resumidamente, a instituição conta com uma receita mensal estimada em cerca de R$ 13 milhões para uma despesa superior a R$ 18 milhões. Para honrar compromissos assumidos, incluindo até honorários médicos, a Diretoria tem recorrido à empréstimos na rede bancária.

Foto cedida pela Assessoria de Imprensa do HRO / Divulgação

Apesar de o HRO ter o maior número de leitos de UTI’s COVID-19 credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de Santa Catarina, 102 leitos, a instituição chegou ao limite de sua capacidade técnica instalada para atender pacientes que necessitam de suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em unidades COVID. Não há, neste momento, condições de ampliar o número de leitos para pacientes que necessitam de desse atendimento especializado, seja por falta de recursos humanos, médicos e de enfermagem, por escassez de equipamentos (Aparelhos de Ventilação Mecânica) ou por insumos farmacológicos.

Um dos principais gargalos é, justamente, a dificuldade na aquisição desses insumos, especialmente os do chamado ‘kit intubação’, decorrente da alta demanda e consequentemente da alta dos preços. Uma das medicações com maior aumento foi o Midazolam, benzodiazepínico utilizado na sedação dos pacientes. Notas do setor de Compras do HRO mostram que esse insumo registrou aumento de mais de 750% desde fevereiro deste ano, isso quando se encontra fornecedor e prazo hábil.

O secretário-adjunto de Saúde, Jader Danieli, informou sobre encontro com o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, durante o qual foi discutida a necessidade de que seja realizado um levantamento a fim de possibilitar, com a máxima urgência possível, os repasses necessários para o HRO cobrir os compromissos decorrentes do aumento exagerado dos custos e do consumo de medicamentos específicos na instituição. Trata-se, segundo o Jader, de levantamento que ainda poderá subsidiar ação do Ministério da Saúde e da Anvisa relativa ao aumento abusivo dos medicamentos.

O alinhamento entre os atores envolvidos no processo de viabilizar condições para o Hospital continuar atendendo à demanda e aliviar a pressão da Pandemia foi destacada pelo presidente da Diretoria Executiva da ALVF, Reinaldo Fernandes Lopes. Na conversa com o secretário André Motta, há 10 dias, manifestou a disposição de reduzir custos, inclusive com o encerramento dos contratos das empresas terceirizadas. De acordo com o diretor-geral, Osmar Arcanjo de Oliveira, há contrato de leitos terceirizados na iminência de vencer, e não existe ainda perspectiva de financiamento.

Ao final da reunião, Jader Danielli comprometeu-se, em nome da Secretaria Municipal de Saúde, a avaliar o levantamento que será feito pelo Hospital Regional, com a máxima urgência, a fim de comprovar a situação financeira demonstrada na reunião junto à Controladoria Geral do Estado, e, assim, buscar os recursos pleiteados. De parte do HRO houve o compromisso de entregar esse relatório à Secretaria Municipal de Saúde com a máxima brevidade, assim como a Secretaria Municipal a conferi-lo, com urgência, para encaminhar à Secretaria de Estado da Saúde.

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