Para apoiar iniciativas que fomentam a cultura local e contribuem para melhorar a qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade social, o Fort Atacadista Chapecó doou, nesta semana, por meio da campanha Troco Solidário, mais de R$ 14 mil para o Programa Verde Vida. A entidade beneficiada, com sede no bairro Bom Pastor, atende 140 crianças de 9 a 17 anos. O objetivo é potencializar os direitos dos jovens com atividades que promovam o desenvolvimento pessoal, artístico e profissional, além de identificar as necessidades dos usuários e conscientizá-los sobre a preservação do meio ambiente.

O gerente regional do Fort Atacadista, Lucas Assis, ressaltou que a arrecadação de recursos é realizada em todas as lojas da rede no Brasil, para apoiar e valorizar instituições sociais e assistenciais. “O Verde Vida foi a primeira entidade beneficiada pelo Troco Solidário em Chapecó neste ano. O programa desenvolve um trabalho muito importante para formação cidadã dos jovens e inserção no mercado de trabalho, prevenindo a exploração infantil, a evasão escolar, a exclusão social, o abandono e a negligência familiar, além de fortalecer as ações comunitárias. Entregamos o cheque com a sensação de dever cumprido”, destacou.

Foto e detalhes: MB Comunicação / Divulgação

Conforme o coordenador da área social do Verde Vida, Odair Balen, em seu primeiro ano de fundação, em 1994, o programa atendeu 15 pessoas em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, o atendimento é nove vezes maior. “Focalizamos na promoção de atividades de inclusão social. Por isso, os recursos financeiros são indispensáveis. Quando recebemos apoio conseguimos ampliar o número de crianças atendidas. Em contrapartida, com a pandemia, tivemos redução de receitas. Porém, a doação contribui para mantermos as oficinas do programa e auxiliamos as crianças e adolescentes com reforço escolar em época de isolamento social”.

O programa Verde Vida também auxilia pessoas com baixo grau de escolaridade, por meio da coleta de materiais e reciclagem, e prepara jovens para o mercado de trabalho. Somente em 2019, 26 adolescentes de 15 e 16 anos foram encaminhados. Essa iniciativa foi fundamental para o jovem aprendiz do Fort Atacadista Gabriel Borges, 16 anos. “Fui incentivado pelos meus amigos e ingressei na ONG em 2018. Eu não tinha perspectivas de como atuar profissionalmente, além de ser muito tímido. Participei das aulas de teatro, que melhoraram a minha comunicação e postura. Também fui orientado sobre como me portar diante dos desafios profissionais. Depois disso, recebi a oportunidade de trabalhar no atacarejo”.

A auxiliar administrativo do Verde Vida, Camilli Saremba, ingressou no programa aos 12 anos. “Participei de diversas oficinas e fui orientada pelos psicólogos sobre como me comportar em uma entrevista de emprego. Quando atingi a idade mínima para ser menor aprendiz, trabalhei na LF Caminhões e fiz o curso profissionalizante de vendas. Quando encerrou o contrato, pedi auxílio novamente aos profissionais do Verde Vida para me comunicarem se surgissem novas oportunidades. Após, fui informada sobre a vaga no próprio programa e fui contratada. Todo o projeto foi fundamental para crescer profissionalmente”, avaliou.

O aluno do Verde Vida, Marco Antonio Silveira dos Santos, 13 anos, destacou que as oficinas são essenciais para o desenvolvimento pessoal e o programa serve como incentivo para planejar a futura profissão.

“No início, participei por insistência da minha mãe, que não gostava das minhas companhias e do tempo que eu passava na rua. Porém, ao conhecer o projeto, me identifiquei. Fui aceito sem julgamentos, pois meus colegas nunca me constrangeram com atitudes racistas, diferente de outros moradores da comunidade e bairros próximos. Agora também tenho mais esperança, pois acredito que por meio dos estudos posso me tornar um excelente advogado. Além de mudar positivamente a minha vida, compartilhei a experiência com meus amigos, que atualmente também participam das oficinas e melhoraram hábitos e comportamentos”.

PANDEMIA

Para atender os jovens durante a pandemia, o assistente social do Verde Vida, Manuel de Souza Brasil Neto, relata que foi necessário adaptar-se às medidas de prevenção conforme o decreto do Governo Estadual e o Protocolo de Manejo Clínico da Covid-19 do Ministério da Saúde. Determinou-se obrigatório o uso de máscaras, luvas e álcool em gel para entrevistas sociais individuais, escuta individual ativa, visitas domiciliares e encaminhamentos para centros de atendimentos especializados.

“Mantemos nossas atividades devido à importância de auxiliar os jovens principalmente neste período em que as aulas são virtuais. O objetivo é ajudar as escolas com a distribuição de tarefas, facilitarmos o acesso aos computadores e reforçarmos os exercícios educativos, priorizando o aprendizado. Também oferecemos diversas oficinas, como socioemocional, inglês, desenho, elaboração de histórias em quadrinhos, informática e música, além de prezarmos a sustentabilidade com a coleta de recicláveis e óleo, produção de compostos orgânicos e manutenção da horta de verduras sem utilização de agrotóxicos”, destacou Neto.

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here