Uma audiência de conciliação entre o movimento de ocupação e a nova Reitoria da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) terminou com poucos avanços. O encontro aconteceu na tarde de terça-feria (10), na sede da Justiça Federal de Chapecó, com a mediação da juíza federal Heloisa Menegotto Pozenato, na sala da 2ª Vara Federal.

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Estiveram presentes, além da Justiça Federal, representantes do Ministério Público Federal, do movimento de ocupação, de professores e técnicos da UFFS, acompanhados de advogados e assessores.

Ao fim do encontro, que durou quase seis horas, a juíza Heloisa Pozenato reforçou a importância do diálogo. Mesmo não decidindo sobre a reintegração de posse solicitada – nem concedendo, nem negando, a magistrada deu a entender que espera esgotar todas as possibilidades de conversa. “Se eu tô aqui, dando o meu sangue pra essa conciliação, é porque eu não acredito na reintegração forçada. Se precisar reintegração forçada, eu vou fazer? Vou fazer. Porque já fiz…se precisar eu vou fazer”. “Gente, tendo uma universidade, se as pessoas não conseguirem conversar, não tem mais nada pra fazer nesse Brasil”, afirmou a juíza.

 

Foi decidido que um novo encontro acontecerá no começo da tarde de quarta-feira (11), na sede do Ministério Público Federal de Chapecó. Por enquanto não há decisão sobre a reintegração de posse e o único consenso entre as partes foi que o Conselho Universitário irá mediar a desocupação do prédio da Reitoria da UFFS.

“Foi única conciliação que nós chegamos aqui…vou colocar na ata o seguinte: as partes conciliaram que reconhecem o Consuni e a comissão que ele nomear como legítimos para tratar da desocupação do prédio”, concluiu a juíza federal Heloisa Menegotto Pozenato.

Os integrantes do movimento de ocupação têm uma assembleia prevista, antes da reunião de quarta-feira no MPF, para deliberar sobre a reunião de conciliação.

A estrutura da Reitoria, localizada na avenida Fernando Machado, centro de Chapecó, foi ocupada por estudantes, em protesto a nomeação de Marcelo Recktenvald como novo reitor. De uma tríplice lista, o nomeado obteve a menor votação em processão de escolha interno, onde houve primeiro e segundo turnos. O movimento considera a posse como uma “intervenção”. No entanto, cabe ao Presidente da República a escolha e nomeação para o cargo.

O representante dos estudantes na reunião, Wagner Bencke, chegou a declarar que o movimento é político: “tá se tratando de uma tática, de uma estratégia de protesto político. Se o protesto político não gera impacto, ele não tem serventia absoluta”. O estudante se dirigiu ao novo reitor e disse que “o objetivo é justamente esse, de atrapalhar a tua vida…porque você não é reconhecido. Acho que a primeira coisa que tu tem que por na cabeça é isso…os estudante não lhe reconhecem como reitor…eles ocuparam a Reitoria justamente por causa disso”.

 

DO LADO DE FORA

Durante a audiência de conciliação, manifestantes estiveram em frente ao prédio da Justiça Federal, com bandeiras e cartazes. Eles vaiaram Marcelo Recktenvald quando o reitor saiu do prédio.

Integrantes do movimento de ocupação da Reitoria da UFFS protestam do lado de fora da Justiça Federal de Chapecó, após a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (10).Não foi decidido sobre o pedido de reintegração de posse. Na quarta-feira, novo encontro acontece na sede do Ministério Púbico Federal. Daqui a pouco, os detalhes no site da Rádio Chapecó.

Publicado por Rádio Chapecó em Terça-feira, 10 de setembro de 2019

 

O novo reitor não havia se manifestado sobre a audiência de conciliação, pois devido aos protestos, não pode conceder entrevista ao sair do prédio da Justiça Federal, no começo da noite de terça-feira (10). No entanto, na manhã desta quarta-feira (11), Marcelo Recktenvald falou para a Rádio Chapecó.

“O que ficou claro é que há uma diferença de perspectivas, entre aquilo que nós defendemos e aquilo que os estudantes defendem. Percebemos que a intenção principal do movimento não é chegar a um acordo nessa negociação…é um fato político”, disse Recktenvald, ao se referir a manifestação do representante dos universitários citada nesta reportagem.

“De nossa parte, desejamos que a Universidade volte logo às suas atividades normais…se a juíza responsável conseguir fazer isso mediante as conciliações, ótimo, sempre é melhor de forma pacífica. Mas se não for dessa maneira, a forma legal precisa ser exercida”, concluiu Marcelo Recktenvald, esperando que o caso seja resolvido o mais breve possível.

 

Atualizada às 11h27 de quarta-feira (11/06/19)

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