Mesmo com todo o encanto que há em ver a bola rolando e o time do coração vencendo, do lado de lá das quatro linhas existe algo muito mais importante: o potencial desmedido que o futebol tem de servir como inspiração. É claro que esse poder transformador reflete a superação que somos acostumados a ver dentro de campo, mas é fora dele que a verdadeira mágica acontece.

Foto: Arquivo Pessoal

Às vezes, o futebol realmente assume o papel de religião. Funciona assim quando as pessoas, por qualquer que seja o motivo, precisam se apegar a algo que lhes ajude a manter a fé. E foi assim com o João Pedro Dal Castel, de apenas seis anos, diagnosticado com tumor cerebral. Todos os dias, João deixa o município de Coronel Freitas – acompanhado pelos pais Irineia e Everton – e vem para Chapecó, onde trava uma batalha pela vida. Ele passou por uma neurocirurgia e, agora, realiza radioterapia a fim de que os resquícios da terrível doença sejam eliminados.

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Graças a esse compromisso rotineiro, o pequeno precisou alterar alguns hábitos e costumes. Já não frequenta mais a escola – por exemplo – e recebe em casa a professora que o auxilia com os estudos. Mas tem uma coisa, em especial, que João não abre mão de fazer: acompanhar os jogos da Chape e torcer, muito, pelo time do coração. Esse é o assunto preferido do menino, inclusive, que adora comentar sobre a partida com o pessoal do Hospital Regional do Oeste. O entusiasmo e a alegria ao falar sobre o Verdão despertaram no médico anestesista Leonardo Ferrazzo – que acompanha o caso – a ideia de fazer uma surpresa e, como ele mesmo descreve, “deixar João sonhar acordado por alguns instantes”.

Foto: Ábner Steffen

Na última semana, o goleiro Tiepo e os atacantes Everaldo e Régis fizeram uma visita especial ao pequeno, que não se acanhou diante da presença dos ídolos. Perguntou sobre os jogos, sobre os gols e falou, empolgado, sobre a alegria que sentiu quando viu Tiepo defendendo pênaltis. O arqueiro – cria da base verde e branca – foi o escolhido por João no último sábado (31), quando ele foi, pela primeira vez, à Arena Condá, e de quebra entrou em campo com os atletas.

As ações foram singelas, mas o impacto foi gigante. Para Ferrazzo, nesta altura do tratamento – bastante agressiva e debilitante – injeções de ânimo ao paciente fazem toda a diferença. Já a mãe, Irineia, falou do orgulho com que João fala sobre a surpresa que recebeu. “Para cada pessoa que nos encontra, ele conta com a maior alegria. Ele chegou em casa: ‘vó, vó, sabe quem veio me visitar hoje? os jogadores da Chape!’. Ele é apaixonado por futebol e principalmente pela Chape. A visita fez toda a diferença” afirmou.

Foto: Márcio Cunha/ACF

Mesmo sem verbalizar, João também evidenciou a alegria e deixou claro, no brilho inocente e esperançoso no olhar, que cada um dos momentos simples passados junto à Chapecoense significaram a realização de um sonho; e, mais uma vez, deu a prova de que mesmo diante da impossibilidade de alterar algumas realidades, através do futebol, da solidariedade e da empatia, é possível torná-las muito melhor.

Com informações: Chapecoense 

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