Empresário acusa Maninho. Presidente da Chape diz que é mentira e anuncia processo

Acusações foram feitas pela manhã. Advogado do presidente rebateu e mostrou documentos à tarde.

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O empresário Rodolfo Forte Neto concedeu uma entrevista na manhã desta sexta-feira (1), nas dependências do Lang Hotel, em Chapecó. Na ocasião, relatou casos, segundo ele, envoltos em “uma cortina de fumaça”, alegando que falta transparência ao presidente da Associação Chapecoense de Futebol.

O empresário esteve acompanhado de seu advogado, Francisco Cunico, e afirmou aos jornalistas presentes que o motivo seria a falta de transparência, “que o Brasil está sendo passado a limpo…temos que limpar, infelizmente, essas pessoas que se aproveitam do futebol ou da política pra receber dinheiro”.

Rodolfo Forte Neto declarou que as reuniões envolvendo negociações da Associação Chapecoense de Futebol aconteciam no escritório do presidente do clube, Plínio David de Nes Filho (Maninho), e não na sede do clube. Disse existir um relacionamento estreito entre o presidente e Fernando Albino, que seria amigo há cerca de 30 anos.

Ele cobra 10% sobre os valores recebidos pela Chapecoense em partidas amistosas, como o jogo diante da Roma, na Itália. O empresário alega ter intermediado a realização da partida e que tem um contrato firmado com o clube. Com a proximidade da data do amistoso, teria sido afastado e diz não ter recebido valor algum. “Não recebi nada e não sei o valor…me excluíram de tudo…acho de eu não ter aceitado repassar uma verba ao seu Fernando Albino”.

Rodolfo Forte Neto declarou que conheceu o presidente Maninho apresentado pelo ex-presidente do Internacional de Porto Alegre, Fernando Carvalho, pois era empresário do zagueiro Marcelo, que morreu no acidente de novembro de 2016. Forte Neto, no coletiva, apresentou um áudio do dirigente Roberto Merlo (diretor financeiro), onde é orientado a acertar essas questões com Fernando Albino. Sobre Merlo, declarou: “Ele me enrola todo o dia”.

Apresentou um autorização, em nome da Associação Chapecoense de Futebol, para negociar um patrocínio com a Companhia Qatar Airways, por um período de três anos. O valor seria 36 milhões de dólares, divididos em três parcelas. A autorização repassada a imprensa, no entanto, não está assinada. O empresário, porém, afirma que seu advogado irá entrar com ação e apresentar toda a documentação “timbrada pela Chapecoense e assinada por ele”.

Segundo Rodolfo Forte Neto, a diretoria da Chapecoense estaria isenta de culpa. “Com quem eu conversei foi…Fernando Albino, seu Plinio e com seu João, o filho do presidente. E em uma única reunião eu conversei com o Danielli, que é do Marketing”. “Hoje em dia não tem Chapecoense, tem Plínio e Fernando”.

Sobre o momento escolhido para fazer as revelações, “estava esperando a Chapecoense não cair pra segunda divisão.” Em relação aos percentuais a serem repassados em negociações, Forte Neto alega que Albino solicitou “aqueles 20% e 10% das vítimas era pra passar os 30% a ele…na conta dele…na conta da empresa dele, Fernando Albino Associados”.

O QUE DIZ O ADVOGADO DO PRESIDENTE

Foto: Mateus Frozza

A Rádio Chapecó conversou, no programa Chapecó Notícias / 3ª Edição, com o advogado Tiago De Gasperin, que representa o presidente da Chapecoense, Plínio David de Nes Filho. Sobre as declarações do empresário Rodolfo Forte Neto, feitas na manhã desta sexta-feira, afirmou que são “informações inverídicas, pessoa sem qualquer compromisso com o que está dizendo” e que a Chapecoense irá tomar as devidas medidas “criminais e cíveis, reparatórios…não só o clube, mas o seu próprio Plínio David De Nes Filho”

Em relação às tratativas internacionais, o advogado do presidente disse que Plínio foi procurado pelo empresário Rodolfo, que dizia ter contatos com empresas no Catar e foi fornecida uma autorização para que fossem prospectados possíveis investidores, mas “no Catar não teve nenhum resultado”. Posteriormente teria tentado um amistoso com a Roma, da Itália, o que também não teria se confirmado por suas mãos. Sendo assim, não haveria comissão à ser paga, em nenhum dos casos. O advogado Tiago disse que a Chapecoense teria, inclusive, feito adiantamento de despesas que alegava possuir, mas que “de fato haviam sido suportadas pela própria equipa da Roma”. “Se tivesse sido ele o real interlocutor da situação” receberia comissão.

A Chapecoense teria adiantado em torno de R$ 80 mil, com notas fiscais fornecidas pelo próprio empresário, por prestação de serviços. Ele estaria “em débito com o clube também”, pois o que foi adiantado seria superior a uma possível comissão.

Sobre declarações de Rodolfo Forte Neto e um áudio apresentado com suposta mensagem do diretor Roberto Merlo, o advogado afirmou ser um áudio “descontextualizado” que teria Merlo teria dito “olha, a Chape não deve nada pro senhor…nesse sentido que foi a declaração”.

Perguntado sobre Fernando Albino, o advogado do presidente da Chape respondeu que trata-se de um advogado de confiança de Maninho de Nes, que domina negócios internacionais, línguas inglesa e francesa, além de ter as ferramentas necessárias se necessário fosse fazer algum contrato. Já a afirmação de que 30% deveriam ser depositados na conta da empresa Fernando Albino Associados, o advogado Tiago De Gasperin chamou de “fantasiosa…é da cabeça desse cidadão…em nenhum momento isso foi tratado…isso nunca foi mencionado…o clube tomou por surpresa…não sabemos de onde o senhor Rodolfo tirou essas informações”

Valores recebidos em jogos amistosos já receberam publicidade, sendo também repassados para percentuais para famílias de vítimas do acidente aéreo com a Chape, em novembro do ano passado.

Reuniões no escritório e não dentro do clube? “De fato houve momento em que teriam conversado fora do clube, porque até não fazer a formalização desse negócio havia dúvidas, inclusive com relação à postura desse cidadão…como traze-lo para dentro do clube nesse momento?”.

Documentação foi divulgada pela Associação Chapecoense, na hoje à tarde. São notas fiscais em que ele (Rodolfo) recebeu o adiantamento para despesas que alegava possuir, e de uma passagem aérea que havia sido fornecida pela Roma, “na verdade ele não teve despesa nenhuma”

O advogado do empresário, pela manhã, declarou que deve buscar reparação na justiça e cruzamento de dados. Dobre isso, De Gasperin afirmou: “estamos muito tranquilos com relação à esse fato…tudo está devidamente lançado contabilmente falando…há auditoria interna e externa…hoje mesmo foi fechado um convênio com o observatório Social…ouvidoria…vários mecanismos para dar maior transparência”.

Ouça a entrevista com o advogado Tiago De Gasperin:

Na entrevista coletiva concedida na sede da Associação Chapecoense, além do presidente Plínio David de Nes Filho e seu advogado, estavam o presidente do Conselho Deliberativo, Gilson Vivian, o vice-presidente Ivan Tozzo, o diretor financeiro Roberto Merlo, o vice do Conselho Gelson Dalla Costa, e o presidente do Conselho Fiscal, Paulo Magro.

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