Investigação: MP diz que médico foi afastado das funções no HRO

Promotor afirma que documentos apreendidos na operação do dia 7 “são de uso exclusivo dentro do HRO ou pelo SUS, mas eram usados em clínica particular.”

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Foto: Ministério Público

O Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos, divulgou na tarde desta quarta-feira (8) alguns documentos apreendidos na operação desencadeada na terça (7), onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Chapecó, em uma clínica médica por suspeitas de fraudes no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Documentos apreendidos na Clínica são de uso exclusivo dentro do HRO ou pelo SUS, mas eram usados em clínica particular. O médico estava utilizando documentos do SUS em sua clínica particular o que é completamente proibido”, disse o titular da 13ª Promotoria de Justiça.

O promotor informou ainda que “…hoje o HRO afastou o médico da coordenação do serviço de oncologia e o afastou por tempo indeterminado de toda e qualquer atividade relativa a atendimento de pacientes vinculados ao SUS. Encaminhou também o caso à comissão de ética do HRO”.

OPERAÇÃO

Sobre a operação de terça-feira, Sens já havia informado que “as investigações iniciaram a partir de informações de que a fila para início de oncologia estava muito longa. A lei exige que o paciente com diagnóstico de câncer seja atendido na primeira consulta em no máximo 60 dias no HRO. Esse tempo já foi de 21 dias; com a entrada do André Moreno, o tempo começou a aumentar muito e a auditoria do SUS percebeu que ele estava direcionando pacientes para a clínica particular.” “O mecanismo era o seguinte: quando mais demorasse para o paciente ser atendido pelo SUS, o paciente o procurava na clínica privada. Foram ouvidos pacientes, médicos, testemunhas, auditores e comprovado o fato.”

De acordo com a 13ª Promotoria de Justiça de Chapecó, entre 2013 (quando o médico citado entrou) e 2016, os pacientes novos diminuíram em 33%; os pacientes privados aumentaram em 57%. Centenas de pacientes foram lesados. A auditoria do SUS, segundo o MP, disse que “o quadro é estarrecedor”. A média de pacientes em tratamento de oncologia, num único mês, no HRO, é de 964 pacientes. O Ministério Público está analisando toda a documentação apreendida.

O QUE DISSE O HRO

Nesta quarta-feira (8) ocorreu a inauguração de um novo equipamento no Hospital Regional do Oeste. Na ocasião, nossa reportagem perguntou se a direção do HRO iria se manifestar ou não. Fomos informados que, por enquanto, a única manifestação seria a nota divulgada ainda na terça-feira.

MÉDICO

O médico investigado e citado pelo Ministério Público, André Moreno, foi procurado pela Rádio Chapecó. Ele atendeu nossa ligação, mas não falou sobre o caso.

 

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